Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

A terceira surpresa da campanha chama-se Paulo Rangel. Se Vital personifica a classe política pós-revolucionária, Rangel simboliza uma nova geração política que emerge em Portugal trinta e cinco anos depois de Abril. Com a devida vénia ao ministro Pinho, não faço ideia se comeu muita papa maizena quando era criança. Mas sei que Rangel se tem mostrado bem preparado e combativo nos debates. Mas o que mais impressiona é o modo livre e aberto como discute política, como se viu na tertúlia com a blogosfera no café Nicola.
Para além de coragem, a escolha de Paulo Rangel como cabeça de lista do PSD, mostra que Manuela Ferreira Leite se está a rodear de uma nova geração política. Falo de Rangel como podia falar de Paulo Mota Pinto ou Sofia Galvão, que partilham com Rangel um percurso académico e profissional de sucesso. Estes exemplos são relevantes porque mostram ser possível a pessoas de mérito fora da política e do aparelho partidário, chegar a lugares de topo nos partidos. Neste caso são ambos vice-presidentes do PSD.
Os dados estão lançados. Com a campanha todos os dias nas ruas (e na televisão) qualquer cenário é possível. Tudo depende da dimensão do voto de “protesto”, e sobretudo da abstenção (feriados…), que será a grande incógnita que pode baralhar as contas eleitorais.
Uma eventual vitória do PSD nas europeias, juntamente com os sucessivos escândalos que envolvem Sócrates, o cansaço político do Governo, a crise económica, o desemprego crescente, bem como a progressiva afirmação de Manuela Ferreira Leite como líder da oposição, deixam tudo em aberto para as eleições legislativas. O empenho pessoal do Primeiro-Minsitro na campanha eleitoral contribui para transformar estas europeias na “primeira volta” das legislativas. Sem ter culpa disso, Vital Moreira pode simbolizar o princípio do fim de um ciclo político, enquanto Paulo Rangel corporiza a renovação de um novo PSD que emerge no “outono” socialista.

 

Paulo Marcelo, no "Cachimbo de Magritte"



publicado por Política de Verdade às 10:17
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