Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

Comissão contra proposta de Vital Moreira.

 

"Não lhes chegam ver a Europa com o nível de popularidade mais baixo de sempre? Querem pior?". Foi assim que um alto responsável europeu respondeu ontem à discussão que brotou em Portugal de um imposto europeu. Isto diante da sede da Comissão momentos depois de ser evacuada de urgência por um falso alarme de incêndio.

O debate sobre um imposto europeu tem barbas e nunca foi muito longe, tal como a Taxa Tobin, que tributaria as transacções financeiras para evitar a especulação. Soluções tecnicamente possíveis mas complicadas em termos políticos. Esta semana, Vital Moreira, cabeça de lista do PS, parecia juntar as duas dizendo ser uma "possibilidade em aberto" para os socialistas a criação de "imposto europeu [que] pode incidir sobre transacções financeiras ao nível da UE, mas pode ser feito a partir de substituição de uma parte de impostos nacionais". Uma ideia arrasada por toda a oposição e que permanece estacionada na agenda europeia, à espera de uma vaga de fundo que tarda em chegar.

Em Bruxelas nem se quer ouvir falar do tema. Com os índices de opinião sobre as instituições europeias pela hora da morte, a dias das eleições e a meses do referendo irlandês, um imposto europeu era um "tiro no pé", expressam várias fontes ouvidas na Comissão Europeia. Como ideia não se trata de um disparate, explicam, apenas uma hipótese académica, entre outras, que foram incluídas no livro branco para revisão orçamental da UE para o exercício de 2014/20. Depois de muitos contactos, a ex-comissária Dalia Grybauskaite, eleita há dias presidente da Lituânia, disse no final do ano passado que a UE "não estava preparada" para contemplar a imposição de uma taxa aos cidadãos para financiar o orçamento. Mas até ao final deste ano a CE apresentará um documento estratégico para reformar o orçamento até ao fim de 2009. E todas as soluções estão na mesa.

 

Publicado no "Diário Económico"



publicado por Política de Verdade às 11:43
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