Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Li nos jornais dos últimos dias que os eleitores afinal não gostam da arrogância e do estilo autoritário do Primeiro-Ministro (além de ter lido que Sócrates havia contrariado o seu 'mito de invencibilidade', coisa que, tendo em conta que Sócrates e o seu PS já tinham perdido nesta legislatura em eleições autárquicas e presidenciais, só podia existir na cabecinha sedenta de mitos de alguns jornalistas). (Matéria que daria para outro post é a forma diferente como os jornalistas e opinadores dos jornais subitamente adoptaram para tratar o PS e Sócrates; quem os lê até pensa que há duas semanas não escreviam os textos mais absurdamente bajuladores nas polegadas de colunas que lhes eram atribuídas).
Voltando à arrogância e ao ar autoritário, nada mais errado. Nunca os eleitores portugueses se zangaram com alguém devido à arrogância ou a um certo pendor autoritário. Nem, como no caso de Sócrates, em que este último é preocupante e levou a constrangimentos vários da liberdade dos cidadãos (cartão único, chip nos automóveis, super-polícia, rédea curta para a comunicação social, processos a jornalistas, e um largo etc.). Os eleitores gostaram da arrogância de Cavaco Silva (aquele frase que não se sabe se foi proferida - "eu nunca me engano e raramente tenho dúvidas", ou é ao contrário?- só incomodou os que elogiam a arrogância patológica de Francisco Louçã ou se divertem com o subproduto de Sócrates) e alguns até depositam esperanças na arrogância de Rui Rio. O que os eleitores não suportam é a falta de educação de Sócrates e sus muchachos. A forma grosseira e boçal como Sócrates trata os seus opositores políticos (incluindo aqueles que exercem mandatos que resultaram da contagem dos votos dos eleitores, como são os deputados à Assembleia da República, e que é, na realidade, um tremendo desrespeito pelos votantes dos seus opositores) não deixa de arrepiar qualquer pessoa com um mínimo de decência. Os eleitores também não apreciam a falta de sustentação para a dita arrogância. Se Sócrates tivesse sido, de facto, um reformador (em qualquer área que fosse); se Sócrates tivesse na realidade contribuído para melhorar os serviços de saúde e as escolas públicas; se Sócrates, resumindo, tivesse sido um bom governante - todos lhe perdoariam a arrogância. O que se desgosta em Sócrates não é apenas a arrogância, é mesmo a incapacidade governativa e que não o autoriza a evidenciar qualquer resquício de arrogância.

 

 

 



publicado por Política de Verdade às 11:48
16 de Junho, 2009 | link do post | comentar

1 comentário:
De Luis Melo a 18 de Junho de 2009 às 10:06
Ontem na entrevista de José Sócrates à SIC pudemos ver a diferença do tom e da forma como falou, entre esta entrevista e a que deu à RTP em Abril (http://mudaportugal.blogspot.com/2009/04/ironia-unica-forma-de-comentar.html).

A diferença de tratamento que o PM teve para com Ana Lourenço, em comparação com Judite de Sousa foi abissal. Tratou a jornalista com delicadeza, simpatia e compreensão. Em Abril tinha chamado ignorante (entre outras coisas) a Judite de Sousa.

Como se esperava Sócrates tentou mudar de personalidade "parte-se-me o coração ao saber que o BPP mentiu aos clientes que lá tinham as poupanças de uma vida". Só que o disfarce de homem humilde, suave e modesto caiu quando Sócrates falou do défice das contas públicas: "se perguntar qual foi o primeiro-ministro... ou melhor, esta pergunta seria muito imodesta, qual foi o período em que o défice foi menor..."

A propósito da crise económica e financeira, Sócrates volta a falar dos EUA, da Rússia e... da Irlanda (coitada da Irlanda que está sempre a ser massacrada por este Governo). Sócrates é o melhor líder da oposição na Irlanda. Mais uma vez lhe digo, com o mal dos outros posso eu bem.

Falando de assuntos que me é caro, o PM disse que melhoramos os resultados escolares. Pudera !! Nestas semanas de exames nacionais, ouve-se os alunos dizer que os exames são fáceis. Nunca, em tempo algum, se viu alunos dizer que as provas específicas, de aferição, etc. fossem fáceis. Porque de facto não o eram, não poderiam ser porque tinham de ser exigentes.

Para finalizar, Sócrates disse que "o problema do país é termos partidos e políticos que fazem uma coisa no governo e o contrário na oposição". Pois é, tem toda a razão, mas será que lhe terei de relembrar o que disse aqui (http://mudaportugal.blogspot.com/2009/02/coerencia.html)? pois... olhem para o que eu digo, não para o que eu faço.


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