Quinta-feira, 16 de Julho de 2009
Sempre estive convencido que o progresso só se alcança sem complexos ideológicos. Com isso não quero dizer que uma ideologia base não é importante… Claro que é! No entanto, ela não se pode sobrepor ao interesse nacional, à tomada das decisões estudadas como as melhores, independentemente da sua conotação à redutora dicotomia esquerda/direita.
A meu ver, olhando para a história da democracia portuguesa, só o PSD, provavelmente pela sua essência transversal aos diversos sectores da sociedade, tem tido capacidade para agir sem um condicionamento ideológico bloqueador de progresso. O próprio PS de Sócrates, que ainda deu a ideia de querer enveredar por uma terceira via (aquela que é tão criticada apenas porque abafa a ideologia), acabou vencido pela enorme e cega resistência ideológica do seu partido. Veja-se a Saúde em que, pelo complexo ideológico, se inverteu uma reforma iniciada por Luís Filipe Pereira cujos resultados eram francamente positivos. A própria reacção à crise e a postura do PS perante as próximas eleições, acentuam o fantasma ideológico, com claro prejuízo para o interesse nacional. Aquela falácia de que tudo o que está do centro para a direita não quer saber das facções mais desprotegidas da sociedade é tão absurda como a de que só o Estado sabe gerir, tratar e educar bem. A experiência tem demonstrado precisamente o contrário e não há crise financeira ou recessão económica que abale isto. Se nós hoje estamos muito melhor do que há 25 anos (e, apesar de tudo, estamos mesmo), se nós hoje temos mais serviços, mais diversificação, mais escolha, mais liberdade, foi precisamente porque abrimos a nossa sociedade à iniciativa privada e ao mundo. Por outro lado, se nós não estamos tão bem como poderíamos/deveríamos estar, tal deve-se, em larga medida, à resistência ideológica e corporativa que continua a imperar em Portugal.
O condicionamento essencial de qualquer política deve ser a do Estado como um garante de solidariedade, igualdade e de protecção de quem dele necessita. Como é óbvio, não há nenhum partido responsável que não aceite isto e mesmo qualquer perigoso neoliberal o aceita pacificamente. A verdade é que, perdido em tantas outras tarefas acessórias, envolto em tantos preconceitos que já deviam estar ultrapassados,  o Estado tem muitas vezes esquecido o fundamental. Reconheço que o PSD, muito provavelmente, não é tão liberal como eu gostaria, mas é o único que tem uma natureza que lhe permite governar de uma forma mais descomplexada… ideologicamente falando. E isso é fundamental para a prossecução do melhor interesse do país.
 
Francisco Proença de Carvalho, no Novas Políticas.


publicado por Política de Verdade às 14:35
16 de Julho, 2009 | link do post | comentar

1 comentário:
De Luis Melo a 17 de Julho de 2009 às 10:18
Grande polémica que aí vai, por causa do que o PSD-Madeira quer propôr como alteração à constituição. Tudo porque AJJ disse que se a constituição actual proíbe extremismos de direita, também os deve proibir à esquerda.

Quem acredita numa verdadeira democracia, não tem medo que ela se transforme em ditadura (à esquerda ou à direita), por isso não faz sentido que na constituição, hajam proibições referentes a monarquias, ditaduras, etc.

Mas, concordo com AJJ. Se lá está que é proibida a ditadura de direita (fascismo) porque não está também proibida a ditadura de esquerda (comunismo)?

Alguns querem aproveitar-se politicamente da situação e distorcer o que AJJ disse. Tentando fazer passar que ele pediu a extinção de partidos à esquerda. Nada disso, AJJ só alertou (à maneira dele, bem conhecida) para uma passagem da constituição, que está a mais.


Comentar post

 
Donativos

Donativos

Redes Sociais