Sábado, 1 de Agosto de 2009

Para trás ficou a possibilidade das calças compridas. Vai forte, a discussão sobre o que é a classe média para os principais partidos. Hoje, Expresso e i tentam defini-la, para saber do que falam os nossos políticos quando a querem "valorizar" (PS) ou impedir o seu "empobrecimento" (PSD).

Manuela Ferreira Leite tem denunciado frequentemente o peso desmedido que as sucessivas crises têm junto da classe média portuguesa, a somar-se ao seu eterno estatuto de principal financiador do monstro estatal.

Hoje, são bem claras as diferenças entre PS e PSD. Para o PS, temos uma classe média que começa nos ordenados de 600/700 euros líquidos. Gente que sua a tentar pagar as contas (e sabemos bem que frequentemente não o faz, recorrendo ao crédito para grande parte do consumo), gente que dificilmente consegue chegar ao fim do mês com algum euro é, para o PS, classe média. Chama-se a isto a adaptação do conceito à realidade nacional. Miguel Frasquilho tem outro nome para isto: "lógica social terceiro-mundista". E é disso que se trata: disso, e de umas pitadas de ilusão. Não chamemos às pessoas pobres, ou novos-pobres. Não, são uma classe média dinâmica, que evoluiu num ciclo negativo.

É preciso reconhecer o óbvio: somos um país empobrecido, face aos restantes países europeus, e não é por mudarmos o nome às coisas que a situação se altera. As nossas classes médias, de curta existência, têm vindo a derrapar para as classes mais pobres. Ponto final. É com factos que se faz política, não com eufemismos e reajustes conceptuais.

 

Ana Margarida Craveiro, no "Novas Políticas"



publicado por Política de Verdade às 20:43
1 de Agosto, 2009 | link do post | comentar

 
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