Quarta-feira, 5 de Agosto de 2009

Já todos tivemos aquela sensação estranha de estar a reviver uma experiência passada. Algo tão familiar que nos leva perguntar onde é que já vimos aquilo antes, com aquelas caras, vozes ou circunstâncias. Foi essa sensação esquisita que tive ao ler o programa do Partido Socialista.
 

O documento até está bem feito. Arrumadinho, bom português, cores vivas e patrióticas. António Vitorino, com a sua longa experiência de fazer programas, está de parabéns. Deve ter abdicado de muitas horas “facturáveis” na sua advocacia de negócios. Trouxe-nos um elenco clássico do politicamente correcto, em versão “novas fronteiras”: a mesma ”ambição para o futuro”, as “ideias mobilizadoras”, sempre com uma “atitude de confiança”.
 

As promessas (agora chamadas "compromissos") também não podiam faltar. São mesmo muitas. Mais linhas de crédito, bolsas de estudo, apoios sociais, obras públicas (TGV, aeroporto, auto-estradas...), regionalização, casamento ‘gay', emprego, justiça distributiva. Sem esquecer o investimento em cultura, para compensar o "erro" dos últimos anos. Mas tudo muito requentado. Apesar do ‘copy paste' das ideias de Zapatero, versão "novas fronteiras", encontramos o mesmo estilo, as mesmas políticas, os mesmos protagonistas.

 

Percebe-se o interesse do PS em avançar tão depressa com o programa. Tal como nos debates mensais, onde os anúncios tentavam desviar as atenções, a estratégia passa agora por fazer esquecer os maus resultados dos últimos quatro anos.

 

Mas há uma pergunta que não é respondida. Uma pergunta que coloco directamente aos colaboradores socialistas que escrevem na coluna do meu lado esquerdo: sem aumentar impostos, de onde vem o dinheiro para pagar tantas promessas?

 

Este é o ponto mais importante. E que não é resolvido ao longo das 120 páginas do programa. Como fazer crescer a economia, gerando rendimentos para pagar tantos "apoios" (a palavra aparece 136 vezes no programa) e as grandes obras públicas projectadas?

 

Depois de uma década de estagnação económica (crescimento próximo de zero entre 2000 e 2009), com uma dívida externa nos 100% do PIB, e um défice orçamental perto dos 6%, não se percebe onde vão os socialistas buscar o dinheiro para tanta despesa pública. Sem responder a esta questão, o ‘déjà vu' de que falava ao início torna-se mais nítido e real. Faz lembrar os útimos anos do governo Guterres e o pântano a que conduziu o país.

 

Paulo Marcelo, no Diário Económico. Via Jamais.



publicado por Política de Verdade às 12:09
5 de Agosto, 2009 | link do post | comentar

 
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