Terça-feira, 11 de Agosto de 2009

Há quase cinco anos, José Sócrates apresentou-se como um grande reformador. Furiosamente, atirou-se a todos os sectores, tanto no estado social (saúde, educação, segurança social) como no estado de direito (justiça, segurança). Os "planos" multiplicaram-se, acompanhando as sucessivas visões para os problemas crónicos. De início não tão furiosamente, foram surgindo as críticas. Aparentemente, os planos de reforma pareciam feitos em cima de joelho, ou só se aproveitava o que enche o ecrã. O melhor exemplo? O plano tecnológico, evidentemente. Uma medida importante e ambiciosa acabou numa caricatura de si mesma: a distribuição gratuita de computadores infantis, com resultados duvidosos do ponto de vista da educação e escandalosos do ponto de vista dos acordos entre estado e empresas ligadas ao negócio. O saldo é claríssimo: mudanças para pior (como o SIADAP, motivo de notícias diárias), mudanças que mais não são do que corta-fitas fictícias, mudanças congeladas e chutadas para canto à mínima décima de descida nas sondagens.
É disto que falamos quando pedimos credibilidade. É disto que falamos quando dizemos que não faz sentido fazer mais promessas. Portugal precisa de reformas. Certo. Nisso, todos os partidos estão de acordo - e ainda bem. O problema está no tipo de reformas, e na forma como são feitas. A solução PS, já a conhecemos de gingeira: primeiro, apresenta-se o plano mais radical, contra todos; depois, com o descontentamento, anula-se o trabalho feito, e fica-se no nada. Manuela Ferreira Leite propõe outra via: primeiro, as reformas parte da realidade, e não da ficção criada para o objectivo espectacular; depois, as reformas dizem respeito a áreas definidas como prioritárias. No programa eleitoral, tudo é prioridade, como se fosse possível resolver todos os problemas de uma só vez. Esse pensamento fantasista é só mais do mesmo, e bem sabemos os fracos resultados que consegue. A escolha entre uma visão e outra torna-se bem clara.

 

Ana Margarida Craveiro, no Jamais



publicado por Política de Verdade às 14:34
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