Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009

Sejamos, pelo menos, só um bocadinho sérios. Não tenho visto ninguém na oposição de centro-direita culpar o governo pela contracção na economia que se sentiu devido à crise económica desde fins de 2008. Foi criticado o governo por não ter percebido que a conjuntura internacional nos afectaria, por ter apresentado um orçamento irrealista para 2009, por ter desvalorizado o impacto da crise em Portugal, por não ter resolvido, em muitos casos ter até aprofundado, os problemas estruturais que continuarão a afligir-nos depois de qualquer retoma conjuntural.
É, por isso, particularmente indecoroso que o governo reclame para si os louros do crescimento de 0,3% do segundo trimestre (que é muito poucochinho, nós não somos a Alemanha ou a França, mas podia ser pior). Diz José Sócrates, leio no Público, que estes resultados «mostram que o Governo está num caminho seguro para sair de uma das mais graves crises da economia» (o bold é meu). A gente já sabia que o PS de Sócrates confunde o Estado com o PS; ficamos a saber que confunde também o país (aquele que trabalha e produz para saír de recessões) com o PS. Caro José Sócrates: se os 0,3% são fruto do trabalho do governo, então as contracções anteriores também são. Se não usarmos seriedade, pelo menos usemos lógica, pode ser?
E, pela minha parte, caro PM, faça favor de não se apropriar de louros que são meus (e do resto da população empregada e dos empresários) e nunca do governo.

 

Maria João Marques, no "Jamais"



publicado por Política de Verdade às 19:26
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