Quarta-feira, 19 de Agosto de 2009

O PSD já se dispôs a governar com maioria absoluta, em maioria relativa ou coligado com o CDS. Não faço ideia qual será a estratégia de governabilidade do PS caso vença as próximas eleições sem maioria absoluta - ninguém sabe, o PS entende não esclarecer o eleitorado, e se pretende jogar novamente a cartada de há 4 anos 'queremos a maioria absoluta e não nos pronunciamos sobre outro cenário' desconfio que a rua relação com o eleitorado vai piorar (mais ainda). Mas este post não é exactamente sobre isso, mas sobre o que leva a coligações pós-eleitorais credíveis: a estratégia para ganhar votos nas eleições.

 

E ou eu não sei em que país vivo ou são os estrategas do PS que estão algo equivocados. No PS parecem convencidos que o país 'virou à esquerda' - olhem os resultados das europeias (eu diria: olhem a abstenção) - e tem-se esforçado por ganhar eleitores à esquerda. É a panóplia da agenda fracturante para a próxima legislatura, é a defesa do Estado como motor de tudo (e não só da economia) numa sociedade e, inevitavelmente, a sua vocação controleira, é a desconfiança face ao sector privado de qualquer sector, são os ataques ao 'PSD neo-liberal' (entidade não existente), é a guerra ostensiva e provocatória a uma figura consensual (por enquanto, pelo menos), mas associada ao centro-direita, como o Presidente da República em vários casos e que agora chega ao caricato de acusarem o PR de escrever o programa do PSD (via assessores). Não há dúvida, o PS esquerdizou-se. Eu não acredito na possibilidade de um bloco central e com esta campanha duvido que seja viável uma coligação pós-eleitoral PS-CDS, de resto preterida pela maioria dos socialistas para a dourada coligação à esquerda.

 

E a verdade é que esta solução é arrepiante. Para mim e, estou certa, para a maioria dos portugueses - que são moderados, querem lá saber do casamento gay e da eutanásia, ocupam-se com manter empregos e educar os filhos dignamente, nem se incomodam muito se, conforme a vox populi, PS e PSD forem indiferenciados e for seu apenas o objectivo de escolher quem gostam mais para Primeiro-Ministro, e se possuem uma vergonha ancestral por termos vivido a ditadura salazarista também ficam com todos os pelos do corpo levantados se ponderarem que comunistas ou sucedâneos mais cosmopolitas podem fazer parte de um governo. Uma solução governativa que envolva PCP ou, mais provavelmente, BE só levará a um regresso à década 1975-1985. Numa situação destas prevejo uma corrida aos bancos de Badajoz (para colocar dinheiros e poupanças fora do alcance do governo), aumento da evasão fiscal (pela razão anterior), conflitualidade social acicatada pelo partido radical do governo, sequestro da iniciativa privada, aumento da carga fiscal para 'ricos' (a.k.a. remediados), uma muito quente guerra institucional. Nada que um país suporte em tempos de bonança e mortal para um país que está na encruzilhada emque Portugal está, quando apenas pode escolher o bom caminho or else...

 

Isto não sou eu levantado moinhos de vento. Há quem não se canse no PS de suspirar por e recomendar alianças à esquerda. Os eleitores que o PS tem privilegiado são os pertencentes à sua esquerda. Termos um governo com PCP ou BE é um risco sério que corremos se o PS ganhar as eleições. E é um risco que absolutamente não podemos correr.

 

Maria João Marques, no "Jamais"



publicado por Política de Verdade às 10:44
19 de Agosto, 2009 | link do post | comentar

1 comentário:
De Nuno a 20 de Agosto de 2009 às 03:32
Maria João,
Também se apresentam nos blogues portugueses dotados de pouca ou quase nenhuma cultura.
Gostaria de deixar um conselho: escrever ou falar simples, numa linguagem que todos entendam.
Por exemplo, felizmente, ninguém entende muito bem o Socretino - talvez por que se esprema demasiado e aparente presunção.
O Povo não gosta.

Nuno


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