Terça-feira, 25 de Agosto de 2009

A divulgação pelo Governo, ontem, dos “resultados” no combate ao abandono e ao insucesso escolar é um exemplo paradigmático da forma como José Sócrates encara o exercício do poder.

Para o Primeiro-Ministro, é irrelevante se os alunos estão melhor preparados. O importante é a ilusão que se pode criar.
 
Para isso, tomam-se todas as medidas necessárias, como já aqui, num post premonitório, se tinha denunciado.
 
É óbvio que esta “melhoria dos resultados” é artificial.
De resto, baseia-se em premissas como, por exemplo, o facto de um aluno com nove negativas no final do ano ser, para este efeito, um caso de sucesso.
Os dados verdadeiramente relevantes para aferirmos o “estado da arte” são outros. Deixo duas sugestões:
  • analisem-se os dados do PISA (um estudo comparativo internacional). Aí poderemos concluir que estas melhorias da última década não têm correspondência na melhoria das aprendizagens;
  • estudem-se os rankings que resultam dos exames nacionais nos últimos 2 anos. Aí se poderá concluir a degradação relativa das escolas públicas face às melhores escolas privadas. Ou seja, aumentam as assimetrias sociais, beneficiando os mais ricos.  
Concluindo, a política facilitista de Sócrates tem duas consequências imediatas: 1) não prepara devidamente as novas gerações para os desafios que aí vêm; 2) aumenta as assimetrias, aniquilando a igualdade de oportunidades entre os que podem recorrer às melhores escolas privadas e todos os outros.
 
Pedro Duarte, no "Novas Políticas"


publicado por Política de Verdade às 16:23
25 de Agosto, 2009 | link do post | comentar

 
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