Quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

No final do séc. XX entrou no vocabulário de muitos, nomeadamente os mais interessados em questões ambientais, o conceito de "pegada ecológica". Após várias evoluções o conceito "pegada ecológica" é hoje usado como indicador de sustentabilidade ambiental, permitindo aferir as consequências e custos ambientais de várias opções ou comportamentos.

Também na actividade político-partidária seria interessante introduzir, em termos mais vastos, este conceito.

Estando a terminar uma legislatura seria interessante aferir qual a "pegada geracional" deixada pelo actual Governo. Seria importante sabermos, com rigor e independência, quais os custos para as gerações futuras de diferentes opções tomadas pelo actual Governo. Quando, quanto e como vão as gerações futuras pagar pela actuação do actual Governo ?

Por outro lado, já estando apresentados os programas de Governo de todos os Partidos (esgotando, assim, o grande argumento dos opositores do Partido Social Democrata que durante as últimas semanas apenas criticavam a não apresentação desse mesmo programa, como se houvesse um "timing" obrigatório para essa apresentação), igual exercício seria útil e clarificador.

O Partido Socialista, ignorando ou não percebendo, a actual situação nacional e o contexto internacional, continua uma defesa acérrima dos grandes investimentos públicos, seja rodoviários, ferroviários, aeroportuários, portuários e outros tantos. Quando confrontado com os custos e consequências futuras recorre aos chavões da competitividade e combate à periferia. Mas se queremos um debate político sério e sem subterfúgios, importa esclarecer quem, como, quando e quanto vamos pagar por essas opções.

Se esse exercício não for apresentado, ficamos com a convicção que o Partido Socialista só olha ao curto prazo e deixa para as gerações futuras uma factura demasiado pesada. Que ao Partido Socialista importa muito vencer as próximas eleições, mas interessa pouco o futuro do País.

Lendo o programa que o Partido Socialista apresenta às próximas eleições, percebemos que deixaria uma "pegada geracional" demasiado pesada. Que as novas gerações não querem, nem tão pouco merecem.

Terá o Partido Socialista, e em especial o Eng. Sócrates, consciência da sua "pegada geracional" ?


Gonçalo de Sampaio, no "Novas Políticas"



publicado por Política de Verdade às 11:34
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