Terça-feira, 8 de Setembro de 2009

Uma das tarefas mais importantes do futuro governo será a de repor a verdade na educação. Aquilo a que assistimos durante quatro anos e meio foi o constante falsear de “resultados” estatísticos com o objectivo político de apresentar um “sucesso” cosmético.

 

Associações científicas alertaram para a constante degradação da exigência dos vários exames finais de ciclo. Foi, assim, fácil apresentar “sucesso”. O famoso “modelo de avaliação” dos docentes procura, não distinguir os “melhores” professores, mas sim, por meio duma parafernália de “critérios”, induzir a produção de um “sucesso” artificial. O Estatuto da Carreira Docente, com a sua divisão entre “titulares” e “outros”, não passa de um pretexto administrativo (e não científico) para a instituição dos “avaliadores”. Por outro lado, o Estatuto do Aluno contém os mecanismos que vão diluindo as faltas, para fins estatísticos, gerando a desresponsabilização dos alunos.

 

As famílias com filhos no nosso sistema escolar têm de reflectir se querem uma Escola que fabrica resultados simpáticos, mas que não qualifica os jovens para o mercado de trabalho. A Escola pública verdadeiramente inclusiva é a exigente, porque só ela qualificará aqueles que não têm alternativa.

 

O verdadeiro sucesso da Escola vê-se, depois, cá fora.

 

[Publicado hoje no Diário Económico]

 

Carlos Botelho, no "Jamais"



publicado por Política de Verdade às 15:59
8 de Setembro, 2009 | link do post | comentar

1 comentário:
De Luis Melo a 8 de Setembro de 2009 às 22:38
Tal como escrevi aqui: (http://debateeducacao.blogs.sapo.pt/12600.html)

No Mundo em que vivemos, a Educação tem um papel vital, que deverá permitir aos cidadãos um crescimento nas suas diferentes dimensões. Deve ter lugar em diversos espaços que vão para além da escola e que cada vez mais deve ser concretizada ao longo da vida.
Mas o primeiro, e principal espaço educativo, é a escola, e é obrigação do Estado proporcionar a todos os cidadãos uma sólida formação de base, capaz de garantir o justo e livre acesso dos jovens à Educação, como forma privilegiada de ingresso numa carreira promissora, e acima de tudo de uma salutar inserção social.
É também na escola que os professores têm um papel fundamental na educação dos alunos. Casos há, em que os professores são até a única pessoa que pode educar o aluno. O papel do professor na sociedade é muito importante, mas hoje em dia, os próprios professores parecem, por vezes, não se aperceber disso.
Todos os anos se fala muito no concurso dos professores, e a propósito disso sublinho o problema que há em relação aos destacamentos. Existem vários pedidos de destacamento falsos (com atestados falsos), de professores que querem ultrapassar "pela direita" os colegas. Assim, há professores com problemas e deficiências aos quais não é dado o destacamento, em detrimento dos tais "falsos".
Ora, como podem estes "falsos" professores, sem princípios, sem valores e até sem escrúpulos, ensinar seja o que for às nossas crianças e aos nossos jovens. A escola não se esgota nos livros, programas ou notas. É muito mais do que isso, ou pelo menos, deveria ser.
Exige-se uma mudança na maneira de pensar de todos os intervenientes no processo educativo (Tutela, Professores, Alunos e Encarregados de Educação). É preciso dar à Educação o valor que esta realmente tem na vida de um jovem, valor esse que é muito maior do que qualquer objecto material – como o "Magalhães" – que se lhe possa oferecer.
É necessário tomar medidas que se mostrem fundamentais para que possamos proporcionar uma Educação com qualidade às crianças e aos jovens. Eles que são o nosso futuro, e merecem ter algo mais do que uma mochila carregada de livros ou um computador. Mais uma vez, a Educação não se esgota nos livros, programas ou notas, é muito mais do que isso.
Urge então, apostar na Educação como o pilar de uma comunidade equilibrada, tomando medidas diversificadas. Apostar numa política educacional baseada na igualdade de oportunidades, na liberdade e na solidariedade para que se assegure a todos os cidadãos, o desenvolvimento integral e harmonioso das suas potencialidades e a possibilidade de contínuo aperfeiçoamento, de acordo com os seus desejos e as necessidades comunitárias.


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