Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Nos finais de 2004, na sequência da substituição de Durão Barroso por Santana Lopes na chefia do Governo, essa misteriosa e incompreendida personagem supostamente importante na construção de um país moderno que hoje (mal)vivemos, que é Jorge Sampaio, decidiu cometer um dos mais violentos, contra-producentes e incompreendidos actos políticos da nossa democracia.
A leviandade de Jorge Sampaio, pouco digna de tão alto representante do Estado, acabaria por acarretar a Portugal uma verdadeira calamidade, cujas consequências estamos hoje a pagar e, pior ainda, restarão avolumadas para os nossos filhos.
Bastaram poucos anos para confirmar o fiasco político de Jorge Sampaio e o mal que causou ao país, por ter pretendido deixar o PS no Governo a qualquer custo, sobrepondo os interesses partidários aos de Portugal. O país chegou no entanto rapidamente à conclusão que o homem dos Prada e dos fatos caros adquiridos nas lojas da moda dos EUA poderia ser quanto muito um sofrível porteiro da Presidência do Conselho de Ministros, mas nunca um razoável Primeiro-Ministro.
Os portugueses sentiram-se traídos pelo PS e disseram nas eleições europeias que não estão disponíveis para aguentar governantes bem vestidos frente ao teleponto mas ocos e sem substância interior, ainda por cima arrogantes e prepotentes, fruto dessa falta de essência mínima que seria exigível e que conduz, pelo contrário, ao medo da aproximação ao mais comum dos eleitores como nós.
Não é a primeira vez que o afirmo quanto aos membros deste Governo, a começar pelo Primeiro-Ministro e descendo por aí fora em toda a cadeia hierárquica da Administração Pública de confiança do actual Governo: a arrogância demonstrada ao longo deste últimos 4 anos significa, no mínimo, uma elevada dose de incompetência técnica e política, para além de uma enorme falta de carácter e de formação valorativa de base de quem no fundo tem medo de ser contestado, contrariado, de discutir e defender as suas (supostas)ideias e opções políticas.
Simplesmente porque as mesmas não têm defesa, a não ser pela força do exercício da autoridade governativa, que mais cedo ou mais tarde, cai por terra, tal como aconteceu a todo o exercício abusivo de autoridade, não legitimada.
 

O primeiro erro do PS foi desde logo o de desvalorizar os resultados eleitorais europeus, por razão da elevada abstenção. Ora, não poderiam os socialistas encontrar mais medíocre argumento, porquanto, em 2009, votaram mais 153.570 eleitores no país, ou seja, mais 5% que em 2004, devido ao crescimento verificado no volume de eleitores recenseados, em consequência de actualização deste registo.
É bem verdade que o número de eleitores cresceu 10%, mais que o volume de participação eleitoral, mas também é verdade que o PS perdeu mais de 570.000 votos, ou seja, quase 40% dos votos que tinha obtido nas últimas eleições europeias. Em contrapartida, o PSD e o PP, que nas últimas eleições tinham concorrido em coligação, cresceram quase mais 300.000 votos, correspondendo a mais 26% de votação que em 2004.
Pode o PS tentar desvalorizar o que quiser, mas trata-se de um derrota e um cartão bem laranja ao Governo do PS, mais ainda porque a escolha dos cabeças de lista às eleições europeias foi de Sócrates e de Manuela Ferreira Leite, tendo o Primeiro-ministro estado envolvido de corpo e alma na campanha eleitoral e dando a cara em nome do Governo nestas eleições.
Neste sentido, a derrota do PS é a do Governo e do PM Sócrates.
Ao nível distrital de Évora, o resultado não foi muito diferente, tendo em conta que o PSD conseguiu superar em 2009 os votos que tinha obtido em 2004 num cenário em que o número de votantes foi de 39.06% contra 39.25% em 2004 mas com mais 2.647 eleitores inscritos (+2%). O PSD e o PP subiram, em conjunto, no distrito de Évora, cerca de 30% em relação à votação que tinham obtido em 2004, enquanto o PS perdeu mais de 10.000 votos, decrescendo cerca de 40% na sua votação.
Tais resultados, não podem ser desvalorizados, por várias razões.
A primeira, desde logo pelo facto de que, sendo verdade que a CDU foi a vencedora das eleições no distrito de Évora, a verdade é que a mesma apenas cresceu 12% na sua votação, correspondente a 1.845 votos. Isto apesar de a CDU deter no distrito de Évora quase tantas autarquias locais como o PS, o que nos leva a uma questão fulcral à luz da qual os resultados eleitorais devem ser lidos.
O sinal mais importante que as eleições europeias vieram dar e transmitir às forças políticas nacionais, regionais e locais é que está em marcha o início do fim de um ciclo político que foi um verdadeiro erro e se traduziu num fiasco, tanto no Governo da nação, como nas autarquias locais.
Se o primeiro-ministro se envolveu na campanha eleitoral e perdeu as eleições de forma tão expressiva e se os autarcas do PS se envolveram igualmente na mesma e obtiveram tão expressiva derrota (veja-se o exemplo do concelho de Évora que tanto pesa na lista de candidatos do PS e onde o mesmo perdeu 45% de votos, ou seja, quase metade dos votos obtidos nas últimas eleições europeias), tal só pode significar que esses actores políticos perderam a confiança do eleitorado que antes neles confiou.
Quando a relação de confiança entre eleitos e eleitores é quebrada, como agora parece ter acontecido com o PS, torna-se difícil a sua recuperação num curto espaço de tempo até aos próximos actos eleitorais. O PSD sabe-o bem.
Por outro lado, os autarcas da CDU, dominando no distrito de Évora quase tantas autarquias locais como o PS, não conseguiram capitalizar suficientemente o descontentamento da governação do PS e a desilusão eleitoral em seu benefício e, também os autarcas da CDU andaram na rua em campanha eleitoral.
O PSD andou menos pelo distrito de Évora que o PS e a CDU nestas eleições, por não ter a mesma implantação autárquica que aquelas duas forças, mas, o resultado obtido é bem superior, sendo exemplificativos os resultados eleitorais no concelho de Évora.
Tal só pode significar, a meu ver, que o capital político acumulado pelos protagonistas locais e regionais do PSD ao longo destes 4 anos germinou uma relação de respeito por parte do eleitorado dos concelhos e do distrito de Évora que cresceu para uma plataforma de confiança, resultado da seriedade, da responsabilidade, da verdade e do espírito de verdadeiro serviço público que os mesmos protagonistas souberam emprestar a essa missão.
Se o resultado das eleições europeias for o prenúncio de que uma mudança de paradigma e de ciclo político está em curso com tradução nos próximos actos eleitorais, bem podemos assegurar, por parte do PSD, que estamos preparados para receber esse depósito de confiança política, assegurando o compromisso de total respeito face à vontade de dar ao PSD a justa oportunidade de alternativa à governação séria e responsável deste país e à gestão local empenhada e desinteressada das autarquias locais no distrito de Évora.

José Palma Rita, no Largo das Alterações



publicado por Política de Verdade às 10:56
17 de Junho, 2009 | link do post | comentar

 
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